As pessoas estão cada vez mais conscientes da necessidade de proteger a pele contra a ação dos raios solares, especialmente no verão. Mas existem outras partes sensíveis do nosso corpo que precisam ser protegidas, e normalmente não damos muita atenção a elas.
Altas temperaturas, umidade excessiva e a grande procura por praias e piscinas podem aumentar o surgimento de inflamações e infecções nos ouvidos. No verão, a ocorrência de otites aumenta em até 70%. “O clima quente facilita o aparecimento de doenças na pele e também no ouvido”, explica o otorrinolaringologista Antonio Douglas Menon. Segundo ele, essa infecção compromete apenas a orelha externa – que vai da orelha até o canal auditivo, até o tímpano.
Na maioria das vezes, a umidade causa irritação e coceira no ouvido. E para aliviar o desconforto, muito utilizam cotonetes e objetos que podem causar traumas. Água contaminada, lesões na pele do ouvido, remoção da cera, introdução de objetos, ou mesmo do dedo no canal auditivo são fatores que podem desencadear uma otite. Segundo Antonio Menon, a dor causada pela otite pode ser muito aguda. Em seguida, pode surgir vermelhidão ou inchaço na região da orelha. Um terceiro estágio da infecção pode ser a sensação de ouvido tapado. “O quarto fator, seria já numa fase mais avançada, a secreção que sai pelo ouvido”, aponta o médico.
Compressas de calor ajudam a aliviar a dor. Caso haja coceira, é necessário fazer aspiração da secreção. O tratamento pode fazer os principais sintomas desaparecerem em alguns dias. Até a completa recuperação, o paciente não deve tomar banho de piscina nem no mar.
De acordo com Antonio Menon, diversas medidas podem prevenir o surgimento das infecções. Toucas utilizadas em esportes aquáticos e tampões são ideais para pessoas que tem tendência. É importante também não utilizar nenhum tipo de medicamento sem recomendação médica.
Quatro em cada dez brasileiros usam colírio por conta própria, durante o verão, pelos mais variados motivos. E em boa parte das vezes, não adiante nada. Praia e piscina são o foco da principal doença ocular do verão: a conjuntivite.
Muitos especialistas acreditam que esta é uma das moléstias oculares em que o benefício do colírio é discutível. “Não adianta tomar antibiótico e nem corticóide; nem colocar esses medicamentos em forma de colírio, porque o vírus tem que ser controlado pelo nosso sistema imunológico”, lembra o oftalmologista Rubens Belfort Neto. Segundo ele, a prescrição médica correta é a compressa com água mineral gelada em cima da pálpebra fechada. “A água fria desinflama o olho, melhora os sintomas, e basicamente é tudo o que a gente tem a oferecer”, pontua o oftalmologista.
No caso da conjuntivite causada por vírus, a contaminação acontece de forma indireta. O período de incubação, desde que a pessoa pegou o vírus até manifestar a doença, é de uma semana. Boa alimentação e cuidado com a higiene pessoal, deixam o organismo menos exposto à ação do vírus da conjuntivite.
Ainda há outros dois tipos de conjuntivite: a bacteriana, altamente contagiosa, e a tóxica, geralmente provocada por exposição acidental a produtos químicos, como protetor solar. De acordo com Rubens Belfort, o boné e os óculos escuros podem ser opções de proteção aos olhos, em detrimento do filtro solar, que pode causar alergia.
Os raios ultravioleta do sol, que castigam a pele nos dias de verão, também são inimigos dos olhos. É recomendável a utilização de óculos escuros para proteger os olhos.