Nessa época de final de ano, até as pessoas que seguem rigorosas dietas ficam mais relaxadas. Quem não é muito regrado, abusa ainda mais, sem peso na consciência. De acordo com a endocrinologista Zuleika Halpern, os excessos no final do ano são longos, pois as confraternizações já começam em novembro. “Em geral se somam várias festas (…) então o paciente faz vários exageros”, lembra a gastroenterologista Luciana Camacho Lobato.
Apesar do mal-estar nas festas estar muito associado a bebedeiras, os médicos dizem que a maioria dos problemas é provocada pelo excesso de comida. “Os alimentos de final de ano, na verdade, não são próprios para o nosso clima tropical”, revela a Zuleika Halpern.
No período das festas, as pessoas consomem uma quantidade maior de gordura e isso irrita a mucosa do estômago. Há pessoas que acabam internadas. E sobre o mito da carne de porco, a nutricionista Denise Madi Carreiro afirma que não há problema em consumi-la “desde que você coma pouco dela”.
A boa alimentação não necessariamente tem que ser gordurosa. Quem quer comemorar, pode muito bem encontrar boas alternativas de pratos requintados mas leves, e de fácil digestão. Neste sentido, a Chef Fernanda Lopes de Almeida recomenda o salmão. “Aqui no Brasil, principalmente, as pessoas não tem o hábito de utilizar o peixe, que todos gostam, é rico em ômega 3”.
Uma série de sintomas pode decorrer dos excessos da alimentação e da bebida. “Com relação à alimentação, as pessoas se sentem com o estômago muito cheio, pesado, dificuldade de esvaziamento, às vezes gases”, disse a gastroenterologista Luciana Camacho. “Podem ter uma diarréia, podem ter enjôo (…) pode dar tontura, para algumas pessoas pode dar aquele processo de empipocar”, lembrou a nutricionista Denise Madi.
Outra situação comum e que costuma desencadear excessos é passar o dia sem comer pensando, exatamente, em aproveitar mais as delícias da ceia. “Principalmente se você fala: eu quero me preparar para uma ceia. Perfeito, se hidrate muito bem e não passe mais de duas horas sem comer”, indicou Denise Madi. “Quando chega na hora de comer, você escolhe a comida, não é ela que te escolhe”, salientou.
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Se de um lado a comida pode complicar o bem-estar, a bebida também pode causar estragos. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas, muitas vezes sem que a pessoa se alimente, causa situações constrangedoras e também perigosas. De acordo com a gastroenterologista Luciana Camacho, o álcool tem alto índice de caloria e por isso não causa sensação de fome. “Principalmente as bebidas que levam açúcar na sua confecção, por exemplo as nossas caipirinhas (…) só que o açúcar não forra o estômago, não protege”, lembra ela.
Tentando evitar o mal-estar típico de quem exagera, alguns costumam utilizar remédios antes mesmo da ingestão de bebida alcoólica. “O fato de misturar as bebidas não é tão grave quanto a quantidade que você ingere”, diz a endocrinologista Zuleika Halpern.
Para não atingir o estado crítico de embriaguez, os especialistas fazem algumas recomendações. A primeira, claro, é beber moderadamente. “Você tem que intercalar: uma dose de álcool, uma dose de água. Não serve outro líquido, não servem refrigerantes (…). Antes de sair de casa forrar o estômago com alguma alimentação variada, que tenha, até mesmo, alguma substância gordurosa”, afirma Luciana Camacho. Confira aqui a dica de suco, da Chef Fernanda Lopes!
Para compensar os exageros cometidos à mesa, muito correm para as academias e ali também exageram nos exercícios em busca da forma perdida, o que faz o corpo produzir substâncias que contribuem para a ocorrência de dores musculares, fadiga e mudança de humor. Os excessos também estão ligados ao aparecimento de várias doenças cardiovasculares, como o infarto agudo. De acordo com o preparador físico Thiago Poggio, o ideal é praticar atividade física consecutivamente.