Transtornos de ansiedade: TOC e Pânico
terça-feira, 22 de dezembro de 2009 por admin

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Todo mundo tem suas manias: verificar se o gás está mesmo desligado; somar os números da placa do carro da frente; contar degraus. A ciência descobriu que a mania pode mesmo acabar desenvolvendo graves doenças. Por diversos motivos as manias podem desencadear um mal conhecido cientificamente como Transtorno Obsessivo Compulsivo. “É a repetição de pensamento, de idéias; é a obsessão e a ‘ritualização’ que são de morte mesmo, muito forte”, declara o terapeuta ocupacional Rodrigo de Ávila.

Segundo a psiquiatra Roseli Gedanke Shavitt, do PROTOC, “a preocupação repetitiva com contaminação, em qualquer superfície que eu toque é obsessão”. Já o comportamento gerado pela obsessão é a compulsão: “eu vou me levar frequentemente, exageradamente, muito mais do que o necessário”, explica a médica. Ainda definindo a doença, o psicólogo Nil Morais explica que o TOC é uma doença do medo.

Em uma população adulta, para cada homem afetado há também uma mulher com a doença. “Mas nos homens, o início mais freqüente é na infância e as mulheres no início da idade adulta”, pontua Roseli Gedanke. Segundo ela, as causas do TOC ainda são desconhecidas. “A gente sabe que existe um componente genético, não necessariamente hereditário (…) mas às vezes a pessoa não tem história familiar e desenvolve a doença também, porque alguma coisa aconteceu no plano biológico que a deixou vulnerável para desenvolver o transtorno”, salientou.

Na maioria das vezes, as pessoas com TOC sabem que seus pensamentos obsessivos são sem sentido e exagerados e que seus comportamentos compulsivos não são realmente necessários. Isso é o que causa maior sofrimento.

De acordo com a psiquiatra Roseli Gedanke, existem dois tratamentos convencionais: o farmacológico e o psicoterápico. “Depende de um acompanhamento medicamentoso para a vida toda”, lembra o terapeuta Rodrigo de Ávila, além de atividades terapêuticas, que visam melhor a autoestima, o autocontrole. “Atividades que façam com que o sujeito supere a adversidade mesmo que não tenha cura da doença”, diz Rodrigo.

Nas primeiras doze semanas de tratamento ainda não se pode mensurar o quanto o paciente evoluiu. “(São) pelo menos três meses para avaliar a resposta ao primeiro tratamento”, afirma a psiquiatra Roseli. “A nossa meta é recuperar a qualidade de vida; tornar aquilo compatível com uma vida normal, fazer projetos, de qualquer natureza”, salienta Roseli.

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A Síndrome do Pânico atinge entre 15 e 30 milhões de pessoas em todo o mundo. A maioria mulheres. São pessoas jovens, entre 21 e 40 anos, que se encontram na plenitude de suas vidas profissionais. Segundo o psiquiatra Luiz Vicente Figueira de Mello, é essencial entender a doença. “Com o tratamento, você vai aprendendo a lidar com essa ansiedade, com ajuda dos remédios você também vai diminuir essa ansiedade, e aí você vai voltar à sua vida normal”.

“Os familiares não sabem como lidar com a pessoa que tem transtorno de ansiedade”, afirma a psicóloga Lílian Lerner Castro, da ONG A Porta.

É comum que os transtornos psíquicos sejam interpretados como simples fraqueza de caráter. De acordo com o psiquiatra Luiz Vicente Figueira, as crises começam isoladamente e passam a se repetir, podendo ocorrer várias vezes ao dia. Neste caso, “desencadeia um caso que nós chamamos de agorafobia, que é o medo de passar mal”.

Na fase aguda, os pacientes recebem tratamento medicamentoso, com antidepressivos. “Nós usamos também a psicoterapia cognitiva. (…) É você entender a sua doença, ver o que está acontecendo com você e se expor a situações que você tem medo”, indica o psiquiatra.

“Durante um ataque de pânico, se ela ( a pessoa) souber transferir o que ela aprendeu na Yoga para aquele momento de crise, e souber controlar a respiração dela, vai melhorar bastante”, afirma o professor de educação física Ricardo William Muotri.

Os grupos de apoio são, também, um importante aliado na recuperação de quem sofre com o pânico. “Quando ela entra em um grupo em que ela percebe que outras pessoas têm o mesmo problema (…) a pessoa fica mais tranqüila. Percebe que não é só ela e isso mexe, realmente, com a autoestima da pessoa”, salienta a psicóloga Lílian Lerner.



 
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